Agravamento da desigualdade social no país é tema do quarto seminário da ALRS

A Assembleia Legislativa realizou nessa quinta-feira (12) a quarta edição do seminário “O RS PÓS-PANDEMIA”. Em pauta, a desigualdade social agravada pela pandemia, com a condução do presidente da Casa, deputado Gabriel Souza (MDB). Participaram do evento os economistas Pedro Nery e Ricardo Paes de Barros, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, e o prefeito da Capital, Sebastião Melo.
O presidente Gabriel expressou sua preocupação com o agravamento das desigualdades decorrente da pandemia e o desejo do Parlamento de contribuir para mitigar a crise. “Acredito que seja o dever do parlamento buscar consensos e transformá-los em medidas legislativas e políticas públicas baseadas em evidências que atendam às necessidades atuais da sociedade”, disse.

Confira como foram os debates:

Economista defende benefício universal infantil como forma de reduzir a desigualdade
O economista e consultor legislativo do Senado Pedro Nery defendeu o benefício universal infantil como uma das possibilidades para se reduzir a desigualdade social no país. Segundo Nery, enquanto países desenvolvidos despendem mais com famílias mais pobres, que tenham crianças, muitas vezes chefiadas por mães-solo, o Brasil gasta mais com a parcela mais rica da população.
“O investimento do Estado na infância volta muito mais, até porque é cumulativo”, disse o palestrante, citando estudos que indicariam um retorno de sete reais, na vida adulta, para cada real investido pelo Estado na primeira infância. “Uma criança que é bem acolhida num sistema de creches será, depois, um aluno com notas mais altas e um trabalhador com mais chance de ter um bom emprego”, explicou.

Nível de aprendizado cai e compromete a renda futura de 35 milhões de jovens
É devastador o cenário descortinado pelo mestre em estatística pelo IMPA e doutor em economia pela Universidade de Chicago, Ricardo Paes de Barros, do impacto da pandemia sobre a proficiência dos estudantes e nível de aprendizagem nos 35 milhões de crianças e jovens da educação pública básica do país. Na economia, o custo da pandemia na educação em 2020 alcançará R$ 700 bilhões, ou 10% do PIB.
Valendo-se de um simulador modelado pela escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), ele projetou essa realidade provocada pelo fechamento das escolas em cumprimento às medidas sanitárias durante a pandemia. O estudo do Instituto Unibanco e do Insper buscou avaliar a magnitude das perdas, a possibilidade de reparação e as consequências. Apenas o estado de São Paulo apurou a sua realidade. O Rio Grande do Sul está elaborando seu diagnóstico.

Impacto da pandemia no comportamento dos brasileiros é abordado em seminário
O presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela, Renato Meirelles, falou sobre o impacto da pandemia no comportamento dos brasileiros. Ele informou que o Instituto Locomotiva e o Data Favela realizaram mais de 75 pesquisas específicas sobre a pandemia, incluindo questões como a situação da fome na favela e o processo de distribuição das vacinas contra a Covid-19 nos municípios, por exemplo. Enfatizou que 23 milhões de brasileiros acreditam que as vacinas irão alterar seu DNA ou inserir um chip em seu corpo, o que contribui para criar uma barreira efetiva no processo de vacinação no país. Além das fake news e da falta de vacinas para imunizar rapidamente a todos, lembrou que parte dos vacinados resiste a tomar a segunda dose por conta dos efeitos colaterais observados em algumas pessoas.

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